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O melhor Pai do Mundo

Ser Pai é uma experiência que merece ser partilhada. Este espaço é dedicado a todos os Pais que receberam dos seus filhos o título de "O melhor Pai do Mundo".

08.Jan.17

Pai, ainda não sei andar de bicicleta

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Esta minha história é sobre a inevitável saga das comparações. "Sabes, o meu filho já faz o pino", "Olha, o meu sabe a raiz quadrada de 123", "O meu escreve com as duas mãos e ainda toca piano". Fico muito irritado com estas conversas, tão irritado que prefiro me afastar.

Obviamente que existem tabelas de desenvolvimento das crianças, que têm a ver com as suas características físicas como inerentes a aspetos cognitivos. Se existirem desvios notórios nestas áreas, os Pais devem procurar acompanhamento profissional e devem evitar coisas como: comparar o seu filho com o filho da amiga ou (ainda mais grave) perguntar ao nosso "amigo" Google "O meu filho aos 3 anos já devia falar?". A internet não é boa conselheira.

Cada pessoa tem os seus timings de desenvolvimento e os Pais devem saber acompanhar e procurarem as ferramentas certas para ajudar. Lembro-me que aos 3 anos o meu filho não gostava de pintar. No pré-escolar os seus trabalhos eram riscos e rabiscos todos da mesma cor, azul. Uma árvore era um conjunto de risco azuis, um carro eram rabiscos azuis. Em casa, eram raras as vezes em que ele pedia uma folha para desenhar ou pintar qualquer coisa. Compramos uma séria de livros para pintar e nada, ou melhor, os poucos que estavam pintados eram...azuis.

Falamos com a educadora e ela disse que não existiam motivos para alarme. As crianças têm aptidões naturais e outras que têm de ser incentivadas e neste caso a expressão plástica era uma delas. A educadora disse-nos que estava atenta e que iria promover esta competência.Eu via os desenhos na parede da sala na escola e já se conseguiam perceber formas, pequenas histórias e até objetos. E ali, a um cantinho, lá estava uma folha rabiscada de azul. Nas célebres conversas com outros Pais, que eu evitava a todo o custo, eu pensava para mim mesmo que o meu filho estava a atravessar o período azul, tal e qual Pablo Picasso tinha passado durante 3 anos antes de inventar o cubismo.

O desenvolvimento nos tempos que se seguiram foi extraordinário, sobretudo na motivação para a tarefa, pelo uso de outras cores e por já nos pedir para em casa fazer desenhos. Ou seja, o normal.

Comparar é inevitável?

Comparar ainda se admite mas exigir-se que haja equivalência já não acho que seja correto. A motivação das crianças é tão dispersa quanto o rol de coisas que conhecem e experimentam. Eu não sei jogar xadrez e o meu filho adora xadrez. Experimentou e gostou. Eu sei andar de bicicleta e o meu filho não sabe. Culpa minha porque não o ensinei? Sim, em parte, mas ele nunca se motivou a aprender, prefere jogar à bola, por exemplo.

Quando ler uma daquelas célebres listas "Coisas que o seu filho já deveria saber aos 3 anos", relativize ao máximo. Procure saber a origem da lista, porque uma criança em Portugal tem outros estímulos de uma criança na Suécia, por exemplo.

Quando estiver numa conversa com outros Pais sobre comparações, tente levar para a brincadeira, é a melhor forma de evitar preconceitos. Se fossemos todos iguais o Mundo era uma seca.

O Pai