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O melhor Pai do Mundo

Ser Pai é uma experiência que merece ser partilhada. Este espaço é dedicado a todos os Pais que receberam dos seus filhos o título de "O melhor Pai do Mundo".

05.Out.17

Pai, como é ser o irmão mais velho?

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Tinha acabado de fazer 9 anos quando os meus Pais me quiseram dar uma novidade: “Vais ter um irmão”. Lembro-me perfeitamente, foi num sábado, que era um dos raros dias onde estávamos os três reunidos. Os meus Pais nessa altura tinham horários desfasados e durante a semana havia uma espécie de passagem de testemunho (que era eu) entre a minha Mãe, que tinha um horário de entrada no trabalho bem cedo e o meu Pai que trabalhava por turnos e que chegava a casa depois de ter trabalhado de noite.

 

Recebi a notícia num misto de alegria, mais por ver os meus Pais super felizes, e algumas dúvidas, afinal iria ter de dividir o meu espaço, mas acima de tudo a atenção dos meus Pais estaria também ela dividida.

 
Passadas umas semanas, a minha Mãe tinha mais uma novidade para me contar. Estava de brilhozinho nos olhos e irradiava alegria: “Vais ter uma irmã, já sabemos que será uma menina!”. “Uma menina?” questionei eu de uma forma instintiva. Sim, nestas semanas eu já tinha arranjado uma “utilidade” para o irmão, ele iria jogar à bola comigo, mas iria ser sempre o guarda-redes, ele iria jogar subbuteo comigo, mas era eu quem escolhia as equipas e seria também o árbitro. As minhas fichas de aposta iam todos para ter um irmão, um rapaz. Saiu ao lado!
 
Os meses até ao nascimento foram passados de forma tranquila. Eu dava conta que algo estava a mudar ao ver entrar em casa cada vez mais coisas cor de rosa, fossem roupinhas ou até alguns brinquedos que a família ia dando. Claro que, não sendo a nossa casa muito grande, tive de reservar um espaço no meu quarto.
 
Chegou o dia no nascimento! O facto curioso é que era o dia de aniversário do meu Pai, uma grande coincidência sem dúvida. Lembro-me de ter pedido dinheiro à minha avó para ir comprar uma prenda. Nem sabia bem o que comprar, mas lembro-me de ter escolhido um pequeno macaquinho amarelo de peluche com um também pequeno biberão.
 
Quando vi a minha irmã pela primeira vez, senti, logo ali, uma enorme responsabilidade. Eu seria, a par dos meus Pais, a sua maior referência. Não era fácil para um miúdo de quase 10 anos, filho único e muito protegido pelos Pais, ceder espaço de atenção de toda a gente, mas eu sempre vi isto como uma vantagem. Serviu para desviar os holofotes e crescer de forma mais autónoma.
 
Os anos passaram e provavelmente devido à diferença de idades, sempre me senti um pouco como Pai, super protector, tentando sempre dar conselhos e dizer-lhe qual seria o caminho certo. Este sentimento aconteceu sobretudo na fase da adolescência da minha irmã. Se calhar por termos personalidades parecidas, havia aqui ou ali alguns choques, facilmente resolvidos pelo bom senso ou em último caso pela autoridade de irmão mais velho.
 
Hoje, crescidos e adultos somos, mais do que nunca, melhores amigos, confidentes e estamos lado a lado em tudo. Como irmão mais velho, continuo a ficar muito orgulhoso com as suas conquistas, a ser protetor quando é preciso e muito compreensivo quando os miminhos dos Pais vão para o lado da menina da família.
 
Ter um irmão ou uma irmã é, à semelhança dos Pais, ter uma ligação para a vida, convivendo com as diferenças, com as personalidades, defeitos e virtudes de cada um. Tenho a felicidade de ter a minha irmã como melhor amiga, que quase sem se aperceber também me ajudou a ser um melhor Pai.
 
O Pai

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