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O melhor Pai do Mundo

Ser Pai é uma experiência que merece ser partilhada. Este espaço é dedicado a todos os Pais que receberam dos seus filhos o título de "O melhor Pai do Mundo".

28.Jun.18

Pai, estou mesmo muito nervoso

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“Com os nervos à flor da pele”, esta expressão simboliza quando estamos nervosos a nossa pele fica diferente, mais áspera talvez… Nada disso, o estado nervoso é dos sentimentos mais naturais que nós humanos temos.

 

A nossa coleção de sentimentos é imensa. Há sempre aqueles que queremos que estejam sempre ali ao nosso lado e aqueles que queremos afastar de qualquer forma.

 
Já viu o filme “Divertidamente”? Se sim, vai perceber o que vou falar, se não viu, corra para vê-lo. É um filme de animação, feito para crianças, mas para todas as idades, dos 6 aos 96 e mais. Neste filme, os sentimentos principais são personificados em bonecos animados que vivem dentro da cabeça de uma menina. Ali dentro são geridas as situações do dia a dia, mas também as memórias, quer as boas, quer as más. Ainda na imensidão que é o nosso cérebro existem os edifícios ou pilares que vamos construindo ao longo da nossa vida. Entre esses pilares está, por exemplo, a Família.
 
Porque é que estou a falar do filme? Porque quero falar de sentimentos, nomeadamente aquele que muitas vezes nos chateia e que há uns dias vi-o também a ser sentido pelo meu filho.
 
“Pai, estou muito nervoso”, dizia-me o mais pequeno uns segundos antes de adormecer. No dia seguinte ele iria ter teste de Português na Escola. Estava mais do que preparado para o teste. Sabia tudo, mas estava com medo de falhar. “E se eu não souber responder a alguma pergunta?”, ouvi eu uma voz trémula e algo desconfiada. Medo! É daqueles sentimentos que passamos a vida a querer que esteja longe.
 
Quantas vezes dizemos aos nossos filhos “Não tenhas medo”? Ou quantas vezes dizemos a quem está connosco “Não estejas nervoso, vai correr tudo bem”? Quantas vezes colocamos os nossos filhos na nossa redoma e impedimos que sintam medo? Muitas de certeza.
 
A verdade é que o medo altera o nosso estado de espírito, faz com que sejamos pessoas diferentes e isso pode prejudicar-nos. O que pergunto é porque é que tentamos contrariar o medo? Por exemplo, se estiverem a atravessar a rua e vêem um carro em vossa direção, o que é que vos salva? O medo, ou melhor o alerta do sistema nervoso a dizer-nos que há perigo.
 
“Eu sei o que estás a sentir”, disse eu ao meu filho quando o vi nervoso por causa do teste de Português. “Se não estivesses nervoso, provavelmente irias estar mais desatento”, expliquei-lhe como funciona o nosso cérebro e a sua ligação ao sistema nervoso. Claro que recorri ao filme “Divertidamente” que já vimos um par de vezes em conjunto. Não quis contrariar o medo, apenas pedia ajuda à razão para que ocupasse mais espaço no seu cérebro.
 
Não sei se o acalmou a minha conversa, acho que ate adormeceu a ouvi-la. Ainda bem.
 
Moral da história. Vivemos em constante opressão para com alguns dos nossos sentimentos. Aposto que vamos fazê-lo até aos últimos dias das nossas vidas. É assim, somos humanos e imperfeitos. Não sou psicólogo e posso até estar a entrar na chamada “lógica da batata”, mas acredito que o nosso equilíbrio emocional alcança-se com a convivência dos vários sentimentos, tal e qual no filme.
 
Na próxima vez que vir o seu filho nervoso, pense duas vezes antes de lhe dizer “Não estejas”. Sugiro que lhe diga “Ainda bem que estás, faz parte”…”És humano, como eu”!
 
O Pai