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O melhor Pai do Mundo

Ser Pai é uma experiência que merece ser partilhada. Este espaço é dedicado a todos os Pais que receberam dos seus filhos o título de "O melhor Pai do Mundo".

06.Nov.17

Pai, hoje vamos ao estádio ver futebol

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No fim de semana passado fomos ao futebol ver o dérbi da nossa cidade, o Porto. Um Boavista-FC Porto é sempre um jogo bem acalorado, como são os mais intensos dérbis do futebol. Não é hábito irmos ao futebol, mas desta vez aproveitamos os convites que nos ofereceram e lá fomos viver esta aventura.

 
Somos adeptos do FC Porto e por isso fomos vestidos a rigor, com a nossa camisola azul e branca e os nossos cachecóis. Eu sou adepto do FC Porto desde pequenino. É daqueles casos típicos de passagem hereditária de amor pelo clube. O meu avô era adepto fervoroso, chegou a ir a Basileia assistir à final da Taça das Taças com a Juventus, a primeira vez que o clube tinha chegado tão longe. O meu Pai também gosta muito de futebol. Chegamos, os dois, a seguir o FC Porto pelo país. Íamos a quase todos os jogos. Em casa até tínhamos lugar anual no antigo estádio das Antas. Com este legado seria difícil ser de outro clube e o mesmo se passa com o meu filho.
 

O menino nem liga muito aos jogos de futebol, mas adora jogar. Ir ao estádio é diferente, é uma excitação. Vamos pontualmente assistir a uns jogos no estádio do Dragão e sempre que a Seleção vem ao Porto, tentamos não perder esse jogo.

 
Voltando ao dérbi… Como eram convites não sabíamos em que parte do estádio é que iríamos ficar. Não conheço bem o estádio do Bessa, por isso quando me entregaram os bilhetes nem sequer consegui perceber onde iríamos entrar.
 
Fila para revista, fila para a primeira porta, fila para o setor. À nossa volta eram muitos os adeptos do FC Porto, por isso iríamos estar com os nossos, isso era certo. Mesmo na fila, começamos a “sofrer” com os apertos dos adeptos mais apressados. A adrenalina está no máximo e o miúdo começa a ficar nervoso com o ambiente.
 
Lá encontramos a nossa porta. O nosso espanto quando entramos: um enorme pano tapa completamente a visão para o campo. Um pano azul da claque Super Dragões!!! O meu primeiro pensamento “Ficamos no meio da claque!?!?”.
 
Em miúdo já tinha ficado uma ou outra vez no meio claque. Era emocionante mas ao mesmo tempo assustador. Muito barulho, muita intensidade, muito calor humano. Agora, passados uns bons anos e com um filho pela mão, regressava aquele ambiente.
 
Confesso que pensei em ir embora. Infelizmente hoje me dia ir ao futebol tem os seus riscos. O que deveria ser uma festa, acaba uma pilha de nervos em franja. Não senti que estivesse seguro, especialmente com o meu filho ali. Surgiram os fumos e logo antecipei um dos aspetos mais negativos, os petardos. Avisei o meu filho que poderiam surgir foguetes, mas que não seriam perigosos. Ele odeia foguetes e começou a choramingar. Estoura o primeiro e lá desata a chorar. Fogo!!! O jogo ainda nem começou..
 
Entram as equipas e o ambiente está ao rubro. Há fumo em quase toda a parte. O barulho é ensurdecedor. Começa o jogo e parece que tudo acalma. Já não há panos, já não fumos e abre-se o livro dos insultos. São tantos palavrões, tanta violência na linguagem que o miúdo passa o tempo a olhar para mim como que a dizer “Pai, aquele senhor disse uma asneira e aquele também, olha aquele também!!”.
 
Em 15 minutos de jogo, a criança aumentou de forma exponencial o seu vocabulário calão. Não dei grande importância, uma ou outra asneira ficam na memória, mas a maioria passa.
 
O jogo decorre sem grandes problemas. O FC Porto ganha 3-0. Há uma enorme festa e tanto o Pai como o filho estão felizes por mais uma grande vitória do nosso clube. Houve festejos exuberantes, saltos de alegria e o ainda pequeno coração do meu filho sempre a bater de forma acelerada, afinal era uma experiência nova.
 
Como escrevi, houve um momento em que pensei vir embora. Senti perigo, mas senti também que era capaz de passar por aquele ambiente e proteger o meu filho. Foi uma experiência em cheio, que resultou em dezenas de histórias que ainda hoje contamos.
 
O Pai