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O melhor Pai do Mundo

Ser Pai é uma experiência que merece ser partilhada. Este espaço é dedicado a todos os Pais que receberam dos seus filhos o título de "O melhor Pai do Mundo".

13.Jun.18

Pai, nós precisamos de ti

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Com alguma frequência tenho de dar um saltinho à capital por motivos profissionais. O normal é sair de manhã muito muito cedo e regressar tarde, já depois da hora do mais pequeno ir dormir. 

 
É algo perfeitamente normal, mas que por si só altera a nossa rotina. Já não posso participar no acordar bem preguiçoso de todos, na preparação do pequeno almoço e no lanche para o miúdo levar para a escola. Como disse, é uma rotina que custa mas que se pudesse não trocaria por nada. 
 

Há dias, nas véspera de mais uma ida a Lisboa, estava a deitar a criança e a deixar-lhe os conselhos para o dia seguinte: “Amanhã o Pai não vai estar, por isso ajuda a Mãe a preparar tudo, está bem?". A resposta meio ensonada deixou-me ali pregado "Não te preocupes Pai, eu ajudo", até aqui tudo bem. Depois veio "Quantas vezes vais ter de ir a Lisboa? Nós precisamos de ti”. 

 
Fiquei ali uns minutos a mais do que o normal a pensar nas prioridades que a vida nos impõe. Sei bem que tenho a felicidade de estar todos os dias com a família, não foi sempre assim como conta a história “Pai, quero estar contigo todos os dias” e talvez por isso valorize ainda mais a presença.
 
Dizia-me uma pessoa muito próxima “Não interessa tanto o tempo, mas sim a qualidade”. Compreendo que seja a qualidade a unidade de medida, mas o tempo, especialmente com as crianças, é a medida que eles entendem melhor… e cobram. A sua transparência é por vezes muito crua e sem filtros e nós Pais temos de viver com isso. Fazemos tudo o que podemos por eles, é isto que a nossa consciência tem de registar.
 
Daqui a uns anos, o cenário vai inverter-se. Imagino-me a pedir mais tempo ao meu filho, enquanto ele vai justificar-se com os seus afazeres. É curioso este ciclo de vida, na fase em que as crianças mais nos pedem nós estamos menos disponíveis. Depois, quando quisermos estar com eles, vamos ter de ir atrás.
 
O que eu digo é que a vida está mal organizada. A geração dos meus pais e a dos meus avós, não teve muitas hipóteses de a alterar. E a nossa geração? Será que conseguimos? Acredito que estamos a contribuir para algumas mudanças. Felizmente, hoje o Pai já não é visto como membro da família que tem de ir trabalhar para ganhar o sustento. Hoje o Pai quer estar com os filhos e faz mais por isso, muitas vezes em detrimento da carreira.
 
Neste momento, procuro uma situação de equilíbrio entre a vida profissional e a pessoal. Estabeleço as minhas prioridades, reservo bem os tempos, gerindo da forma possível as interseções. Nem sempre foi assim, mas o tempo e a experiência permite-nos evoluir.
 
O Pai