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O melhor Pai do Mundo

Ser Pai é uma experiência que merece ser partilhada. Este espaço é dedicado a todos os Pais que receberam dos seus filhos o título de "O melhor Pai do Mundo".

15.Jan.18

Pai, viste o programa "Super Nanny"?

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Depois de uma semana de anúncios ao programa, ontem lá aconteceu a estreia da “Super Nanny”, papel desempenhado por Teresa Paula Marques, psicóloga e com percurso reconhecido no aconselhamento parental e acompanhamento de famílias.

 
O formato do programa é conhecido. No canal TLC também temos a “Super Nanny” no programa SOS Família. Confesso que vi uma ou outra vez o programa, mas o canal TLC não faz o meu género e vão entender o porquê no decorrer desta história.
 

Voltando à nossa “Super Nanny”. Tenho uma opinião positiva e outra negativa sobre o programa. Primeiro de tudo, surpreendeu-me o facto da SIC apostar num programa deste género para um horário tão nobre como o de domingo à noite, logo a seguir às notícias. É um horário, vamos lá ver, familiar, mas o programa não é familiar, não para vermos juntamente com os nossos filhos.

 
O ponto positivo deste programa é que vai, sem qualquer dúvida, ajudar muitas famílias a terem consciência que os seus problemas são muito parecidos aos de outras casas. Vai ajudar muitos Pais e Mães a sentirem-se menos como “Isto só me acontece a mim” ou então “Não sei se estou a fazer bem as coisas” ou muito pior “Não sei se estou a ser boa Mãe ou bom Pai”. A natureza humana é mesmo assim, cada pessoa isola-se e fica a achar que a sua vida é diferente da dos outros, mas quando encontra “pares” fica mais amparada.
 
A acrescentar a este ponto positivo está o facto de se uma família detetar que tem um problema deve recorrer a profissionais capazes de ajudar. Sejam problemas comportamentais, como o que vimos ontem no programa, sejam problemas de alinhamento entre Pai e Mãe ou entre Pais e Avós, por exemplo. 
 
No centro disto tudo está a criança ou as crianças. Não é novidade para nenhum Pai ou Mãe que a entrada de uma criança na nossa vida coloca à prova uma série de coisas, origina um conjunto de mudanças que nem todos estamos preparados para enfrentar.
 
Até aqui tudo bem, mas fazer desta problemática um programa de televisão? É aqui que eu não concordo. A exposição mediática que esta família teve vai marcá-la por muitos anos. A Mãe que vai ter sempre o rótulo de permissiva, a Avó com o rótulo de cúmplice e a menina com o rótulo de birrenta e mal educada. O julgamento público é tão rápido e tão cruel que os visados nem têm tempo para pensar nas consequências.
 
Ali, naquela família, existia um problema de falta de regras, como em tantas outras famílias. Escrevi algo sobre o tipo de comportamento que vimos ontem na história "Pai, na Escola porto-me bem, mas em casa...". Tornar público este problema está ao nível de um reality show, onde os espetadores são entretidos com a vida de outras pessoas, fazem os seus julgamentos e depois passa, exceto para quem ali esteve como protagonista.
 
A família, qualquer que seja a sua constituição, é algo sagrado, algo que pertence aquele núcleo. Os seus problemas, que existem em todas sem exceção, devem ser tratados nesse núcleo, pedindo ajuda a mais família, a amigos e a profissionais. Abrir as portas de uma casa de forma tão escancarada é de lamentar, mais ainda por um canal como a SIC que (quase) sempre nos habituou a ter alguma distância para estes reality shows.
 
Uma palavra final para a Teresa Paula Marques. Gostei da forma como representou o papel, nota-se, obviamente, a sua vasta experiência na área. Entrar no espetáculo é que retira, em parte, a sua credibilidade como profissional. É demasiadamente público para uma profissão tão zelosa com os aspetos éticos e deontológicos.
 
Resumindo, não devo voltar a ver o programa, não gosto de olhar para a vida alheia e tecer considerações. Prevejo que, na guerra das audiências, este programa vá concorrer com outro reality show da TVI e aí estará tudo no mesmo saco. Enfim...
 
O Pai

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