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O melhor Pai do Mundo

Ser Pai é uma experiência que merece ser partilhada. Este espaço é dedicado a todos os Pais que receberam dos seus filhos o título de "O melhor Pai do Mundo".

30.Ago.18

Pai, ainda nem acredito que vou ter uma irmã

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Demorou, mas a criança lá de casa começa agora a ter a consciência plena que vai ser o irmão mais velho. O nosso filho foi a primeira pessoa a saber. Não preparamos com muito pormenor o anúncio, estávamos tão felizes que nem combinamos a forma como o iríamos fazer. Apenas trocamos uns olhares e a Mãe fez-me sinal para avançar.

 
Começou com lágrimas quando lhe dissemos que a Mãe tem um bebé na barriga. “Pai, o meu coração está a bater muito depressa” disse-nos mal soube que ia ter um irmão. O jantar parou ali mesmo. O miúdo começou a chorar compulsivamente, mas não dava para entender qual era o seu sentimento real. Claro que ficamos surpreendidos com a reação, mas demos-lhe espaço para se expressar à vontade.
 
Apenas voltamos ao assunto uns dias mais tarde. Sem forçar. O nosso filho é como nós, recebe a informação e processa depois. Esperamos que fosse ele próprio a puxar o assunto. E assim aconteceu, “Pai e Mãe, já sabem se é menino ou menina?”.
 

Desde a primeira ecografia que a probabilidade de ser uma menina é maior. E foi isso que explicamos. Daí veio mais um choro, “Menina?!? Nem sequer vai jogar à bola comigo!”.

 
O tempo foi passando e a barriga da Mãe continuou a crescer. Chegou a hora da segunda ecografia e decidimos que iríamos levar o nosso filho. Curioso como ele é, ficou maravilhado com a tecnologia e depressa se colocou ao lado do médico a fazer perguntas. “Como é que consegue ver dentro da barriga?”, “Ah, estou a ver as pernas e os braços… Uau!”.
 
Até que o médico lhe perguntou “Queres saber se vais ter um irmão ou uma irmã?”. Notei que ficou meio paralisado. Esta era a sua última esperança para que pudesse ouvir menino. “Sim quero” respondeu prontamente.
 

“Vais ser o irmão mais velho de uma menina!”, disse o médico.

 
Recuou, ficou a olhar para a imagem da ecografia e todo ele era informação a ser processada. Passados uns breves segundos, deu um passo em frente em direção à Mãe e disse: “Mãe, se é uma menina vai chamar-se Maria”.
 
Se na Mãe as emoções estão à flor da pele, no Pai não estão assim tão longe da superfície cutânea. As lágrimas caíram-me facilmente, a Mãe já estava afogada com aquela afirmação tão convicta. Foi naquele momento, foi aquele segundo que o trouxe à realidade. Foi ali que ele começou a ser o irmão mais velho.
 
Hoje, já faz planos! Seja para o quarto da irmã, seja para as roupinhas que temos de comprar. É ele mesmo que ajuda a escolher e faz questão de dar a sua opinião para tudo. Nasceu ali um irmão!
 
O Pai
27.Ago.18

Pai, vai chegar uma princesa!

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Curioso que nunca tivemos um desejo muito concreto quanto a ter menino ou menina. O mesmo se passou quando estivemos grávidos do primeiro filho. Tudo o que queremos é que nasça com saúde.

 
As diferenças entre meninos e meninas são bem conhecidas. Vem logo à cabeça o futebol para os rapazes e os totós e as bonecas para as meninas. Contudo a maior expectativa dos Pais é mesmo saber como será a personalidade do bebé e como nos vamos reorganizar como família. Tudo o resto é resolvido com 10% de teoria e 90% de instinto.
 
Quando o médico, na primeira ecografia, nos disse que existia uma maior probabilidade de ser menina, ficamos radiantes. Acho que ficaríamos de qualquer maneira, mas de facto juntar a experiência de ter uma menina depois de termos um menino, completa a nossa vivência como Pais.
 
Não era ainda certo. Uma probabilidade alta não é uma certeza e o médico alertou-nos para isso. Acho que o resto da família estava mais expectante do que nós próprios. Ao contrário do nosso filho que recebeu a probabilidade de forma menos efusiva já que a sua preferência era ter um irmão e não uma irmã.
 
Aguardamos pacientemente pela segunda ecografia para tentar perceber se a tal probabilidade subia a sua percentagem.
 

“Vocês vão ser Pais de uma menina!” disse o médico com muito mais certeza. O mais pequeno, que nos acompanhou nesta consulta, ficou a processar a ideia de ter uma irmã e vai continuar a processar até ela nascer.

 
Ora bem, com este nível de certeza já estamos mais convencidos de que vamos mesmo experimentar os totós e as bonecas e tudo aquilo que as meninas têm de diferente dos meninos. Contamos com o nosso instinto, com a nossa experiência da primeira “viagem” e acima de qualquer dúvida, contamos com o amor que nos une como família, esse sim, será o nosso grande alicerce.
 
E venham de lá as coisinhas cor de rosa, os lacinhos e roupas de princesa. Por acaso, tentamos sempre fugir destes estereótipos, principalmente da cor. Este facto é muito útil porque a bebé vai herdar muita roupa do irmão e de certeza que não se vai queixar por isso.
 
A partir de agora a minha vida é dividida entre a secção júnior das lojas de desporto e passar a conhecer bem os corredores da secção feminina de bebés.
 

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Uma diferença tenho já a apontar, as meninas têm sempre muito mais oferta que os rapazes, numa proporção completamente desigual. Nem vou discutir este facto para já, porque como escrevi na história “Pai, não entendo bem as meninas” não vou ser o primeiro homem a explicar as diferenças entre géneros.
 
O Pai
21.Ago.18

Pai, as férias nunca deviam acabar

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Atenção que ao ler esta história vai suspirar pelo menos 3 vezes, mas não se preocupe, eu aviso quando deverá fazê-lo. Vou falar de férias, família e filhos. Os meus 3 F’s preferidos.

 

1.º suspiro, para quem ainda espera pelas Férias e também para quem já as tem a acabar.

 
 
Este ano conseguimos umas semanas para nos dedicarmos à família. Há uma série de fatores que se têm de reunir para que isto seja possível. Primeiro o nosso emprego tem que nos permitir “desligar” de forma a podermos fazer o tal desejado “reset”. Até agora nunca tínhamos conseguido, ou porque eu estava a mudar de emprego ou porque não conseguíamos dispensar tempo suficiente para estarmos relaxados.
 
Segundo fator tem a ver connosco. Como Pais, temos de ter a consciência que nas férias os nossos filhos vão querer exclusividade quase em absoluto. Vão cobrar um ano de cedências, um ano de pressas, um ano de tempo muito contado e escasso. Os nossos filhos vão dizer “Pai e Mãe, agora vocês são só para mim”… e nós temos de conseguir, custe o que custar.
 

2.º suspiro, para quem quer fazer isto e não consegue, para quem está a pensar “Isto é fácil de falar”. 

 
Para quem suspirou, desculpem a insistência: Pais, têm de conseguir esta dedicação quase em exclusivo. Não há volta a dar. Esqueçam os spa’s, as águas termais, os chakras ou os karmas. A melhor terapia de férias para que nos possamos sentir bem e recuperar para mais um ano de trabalho é estar de corpo e alma com os nossos filhos, 100% garantido.
 
Este ano, fizemos o que nos apeteceu. Tínhamos coisas programadas é certo, mas nada de muito fixo. A agenda do dia ia sendo feita conforme o tempo ia passando. Se estivéssemos bem, prolongávamos ao máximo esse momento.
 
Atenção que prezamos muito o voto democrático. Somos 3 e cada um tinha um voto. Ok, às vezes a Mãe fazia valer a sua condição de grávida e colocava mais meio voto na sua decisão. Nós compreendemos e aceitamos. 🙂
 

3.º suspiro, eu estou a suspirar pelo tempo fantástico que passamos e que agora temos de…pausar. Ia dizer terminar, mas este tempo nunca termina.

 
Quero solidariedade de Pais e Mães que, no seu regresso ao trabalho, suspiram como eu por recordar aqueles dias de férias fantásticos. Aqueles dias em que eu acabei de rastos por ter jogado futebol com os miúdos todos que apareceram, aqueles dias em que a Mãe leu dois livros de 600 páginas, aqueles dias em que acordamos e decidimos onde queríamos ir… aqueles dias em que vivemos uns para os outros, quase como se o Mundo estivesse ali para nós e não ao contrário.
 
Enfim, eu prometi os 3 suspiros, mas de certeza que há mais. Não são suspiros nostálgicos, de frustração ou de desejos não concretizados. São suspiros de felicidade. Não fizemos tudo o que queríamos fazer, mas fizemos tudo o que nos apeteceu, ou quase tudo porque as férias… nunca deviam acabar.
 
O Pai
16.Ago.18

Pai, gosto de regressar a casa depois das férias

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Todos queremos que as férias não acabem. Parece sempre que quando acabam, passaram num instante e tudo o que fizemos foram pequenos momentos que ficam na nossa memória durante um ano até irmos de férias novamente.

 

Nós estamos sempre a contar histórias das férias. “Pai, lembraste quando fizemos aquele túnel na areia?” ou “Pai, quando fizemos aquele jogo e ficamos todos molhados”. Há mil e um episódios, são momentos que ficam, assim como o regressar a casa. Ao fim de uns dias fora de casa é possível que existam saudades.

 
Não é só o mais pequeno que sente essas saudades. “Eu acho que o nosso sofá está com saudades nossas”, disse a Mãe a puxar conversa. “Mãe, quando chegar a casa quero ser o primeiro a atirar-me para o sofá e enchê-lo de miminhos”.
 
Sim, é verdade, o nosso sofá é um membro da família. Não temos animais de estimação, por isso adotamos o sofá como um. O sofá dá-nos muito apoio durante o ano e é uma pena que não possa vir connosco de férias.
 
Desde há uns anos que o nosso filho tem um ritual quando regressa de férias: entra em casa e vai logo para o seu quarto, pega em brinquedos e põe-se a brincar. Não se fica por um brinquedo ou outro, parece que quer brincar com todos, como se estivesse a confirmar que estão todos ali.
 
Nós perguntamos sempre “Tinhas saudades dos teus brinquedos?”. A resposta é afirmativa, mas o que ficamos a pensar é que alguns desses brinquedos ele só pega quando regressa de férias. Curioso, não acham?
 
A pensar nisto, já propusemos que ele leve os brinquedos que quiser para férias, mas não quer, prefere as 3 ou 4 bolas de futebol e fica por aí.
 
Este ano resolvemos deixar uns dias de férias em casa antes de regressarmos ao trabalho. Estivemos mais de 10 dias fora de casa, por isso, o miúdo precisou de alguns dias para poder reatar a ligação com os brinquedos todos. Não preciso de dizer que o quarto depressa ficou de pernas para o ar, com tantas brincadeiras a acontecer ao mesmo tempo.
 
As férias são um dos momentos que mais aguardamos durante o ano. Por todas as mais óbvias razões e mais algumas, mas o regressar a casa é sempre especial. Para o mais pequeno é uma oportunidade de tirar o pó aos brinquedos, para nós adultos é regressar ao nosso cantinho, ao nosso sofá, às nossas coisas.
 
Eu sei que temos mais do que tempo para estar em casa durante o ano, mas nós, como apaixonados pelo nosso lar, tem sempre um sentimento especial regressar, seja depois de um dia de trabalho, seja depois de alguns dias de férias.
 
O Pai
08.Ago.18

Pai, na Kidzania encontrei a minha profissão

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“Pai, quando vamos voltar à Kidzania” foram as palavras do miúdo mesmo à saída de um dia intenso de atividades e conquistas.

 
Quando recebemos o convite para visitar a Kidzania, o miúdo entrou em êxtase total. Já tinha tido vários amigos a relatar tudo o que tinham feito naquele espaço e, por causa disso mesmo, já nos andava a pedir para lá ir. Preparou tudo ao pormenor, já sabia quais eram as atividades que poderia fazer, os horários e até o que poderia fazer com o dinheiro, os Kidzos.
 
Hoje nem foi preciso grande esforço para acordar. “Pai, sonhei que ia experimentar todas as atividades”, ora bem, são 60 atividades que se podem fazer na Kidzania, logo vi que iríamos estar sempre a gerir o tempo pois não dá para tudo num único dia.
 

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Chegamos por volta das 11 com o miúdo já a reclamar, “Já perdemos 30 minutos!!”, isto porque durante a semana a Kidzania abre às 10:30. Depois de um check-in bem simples, os Pais e a criança recebem uma espécie de relógio que nos liga. É o sistema de segurança. As crianças devem permanecer sempre dentro do espaço, enquanto que os Pais podem sair e entrar quantas vezes quiserem. Mas atenção, crianças com idade inferior a 8 anos devem estar sempre acompanhadas pelos Pais.
 

Entramos e começou a aventura. A excitação era tanta que os primeiros minutos são de confusão total. Para onde vamos primeiro, onde é que fica aquela marca, qual o caminho para o banco, são perguntas que ficamos ali parados a tentar encontrar a resposta.

 
“Já sei para onde vou”, disse o miúdo a correr desenfreado. Os Pais quase nem têm tempo para acompanhar. Uma boa ideia seria ter uma aplicação para telemóvel para poder acompanhar por onde andam as crianças, seria mais fácil e evitaria algumas correrias dos Pais.
 

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Foram tantas as atividades que acabamos por perder a conta. Encontramos poucas filas, os tempos de espera são apenas entre o final de uma atividade e o início de outra. Há alguma correria das crianças, tal é a sua vontade de completar com sucesso as tarefas que lhes são confiadas.
 
Todos os funcionários reais estão muito envolvidos, tratam as crianças por você e alguns por Senhor ou Senhora. “Pai, parecia que eu já era adulto”, dizia o mais pequeno a comentar esta forma de tratamento.
 
O dinheiro. Sim, esta é uma brincadeira, mas simula a vida dos adultos. As crianças que vêm os Pais a trabalhar e a ganhar o seu dinheiro, querem brincar ao faz-de-conta e eles próprios serem adultos por algumas horas. É a vida, não há volta a dar. Eles querem ganhar mais algum para poder comprar qualquer coisa, querem ganhar para depositar no banco e fazer uma poupança. É uma brincadeira ao Mundo real e aos domingos os Pais também podem participar em todas as atividades, pois os Pai também precisam de brincar.
 

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Saímos às 18, hora de fecho do espaço durante a semana. Foi intenso, sem dúvida. O miúdo foi carteiro, foi investigador criminal, foi construtor civil, foi bombeiro, locutor de rádio e mais e mais… e aproveitou e tirou a carta de condução.
 

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Vamos voltar de certeza, até porque trouxemos dinheiro e um cartão bancário também com uns trocos. “Pai, agora já sei qual vai ser a minha profissão”, disse o miúdo na viagem de regresso.
 
O Pai
 
P.S.: Antes de terminar gostaria apenas de deixar a nota que fui preso. Sim, é verdade, alguns agentes da autoridade da Kidzania levaram-me para a prisão alegando que eu tentei participar em algumas atividades exclusivas das crianças. Fui a tribunal e foi declarada uma sentença de 5 minutos na cadeia. Ao fim de 3 minutos saí por bom comportamento.
 

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