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O melhor Pai do Mundo

Ser Pai é uma experiência que merece ser partilhada. Este espaço é dedicado a todos os Pais que receberam dos seus filhos o título de "O melhor Pai do Mundo".

12.Abr.19

Pai, eu não quero jogar Fortnite

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Na semana passada fui buscar o meu filho mais velho à Escola. Normalmente vem todo animado e cheio de histórias para contar. Demoramos cerca de 20 minutos a chegar a casa e não sobra espaço de tempo para outra coisa que não sejam as aventuras e desventuras do dia. Contudo naquele dia, foi muito silencioso. O miúdo estava chateado e qual o motivo? Os colegas não falam de outra coisa que não seja Fortnite e ele sente-se excluído.
 

O assunto “Fortnite” já veio à conversa tantas e tantas vezes que já perdi a conta. Em nenhuma destas conversas o meu filho nos pediu para jogar. Parece incrível dada a febre que se vive, mas o miúdo não quer jogar aquele jogo.

 
Ele não quer jogar porque simplesmente não gostou quando experimentou numa festa de aniversário de um amigo. “Pai, acho muito violento”, disse-me ele naquela altura em que jogou pela primeira e única vez. Ele gosta mais de jogos de desporto como o Fifa ou dos quizzes como o Saber é Poder. Gosta ainda de explorar o Roblox e de jogar aqueles jogos simples de computador. Fortnite, não!
 
Quem leu até aqui pode estar a pensar: “Foram os Pais que lhe disseram que não podia jogar”. Podemos ter influenciado de alguma forma, porque sempre dissemos que jogos com violência não têm grande piada, mas a decisão foi sempre dele.
 
Voltando ao silêncio daquele dia em que o fui buscar à Escola. Fiquei preocupado pelo facto da criança se ter sentido à parte, excluído da conversa por ter uma opção diferente da maioria dos colegas. Não deve ser fácil perceber o porquê. Tentei explicar que cada pessoa é diferente e que temos de respeitar isso e fazer com que nos respeitem. Em momento algum ele me pediu para jogar, mas já o observei a ver vídeos sobre o jogo e aí perguntei porquê ao que me respondeu: “Quero perceber do que falam para poder conversar com os meus amigos”.
 
Ou seja, ele não quer jogar, mas também não quer sentir-se fora do assunto. Acaba assim pode ceder em certa medida à pressão do grupo, mas mantém a decisão. Personalidade ou teimosia? Eu digo personalidade. Quantas decisões deste tipo nós e os nossos filhos teremos de tomar? Imensas. Devemos ceder a modas ou a tendências de grupo? Eu digo que temos de primeiro refletir sobre o que queremos e decidir por nós próprios.
 
O Fortnite acaba por ser o centro de muitas conversas entre crianças e não só. Vem ao de cima o tempo que passam a jogar, o modelo do jogo em que a violência está tão presente, a forma como jogam em rede e “vestem” a personagem, a máquina de propaganda que quase que nos obriga a, pelo menos, ir ver como funciona. Tudo é pressão e nas crianças ainda adicionamos uns pozinhos de intensidade na forma como lidam com esta pressão.
 
Não creio que este assunto seja de agora. Eu lembro-me na minha infância de passar umas tardes a jogar computador com os amigos e estarmos completamente viciados no jogo. A diferença é que na altura tínhamos de nos juntar para jogar, hoje pode ser feito à distância e de forma mais isolada. É mais do que um problema é uma característica da sociedade dos nossos dias. Devemos forçar para que os nossos filhos sejam diferentes? Não vou por esse lado, acredito que os podemos orientar nas escolhas, mas eles têm de se habituar desde cedo a tomar as suas próprias decisões.
 
O Pai
03.Abr.19

Pai, alguma vez me mentiste?

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É tão bom quando nos apercebemos da pureza e inocência das nossas crianças. Quando olham para nós e sabemos logo ali que aquele olhar é sincero. Quando falam connosco e percebemos que estão a ser verdadeiros. Porque é que valorizamos estas ações tão básicas? Porque são tão difíceis de encontrar nos dias que correm.
 
E do outro lado? Como se sentem os nossos filhos quando se apercebem que os seus Pais lhes mentiram?
 

Mentir é uma quebra de confiança e muito do que as crianças vêem nos Pais é precisamente confiança. Quem é o Pai que nunca teve a necessidade de mentir aos seus filhos? Se existir algum que atire a primeira pedra. Eu assumo, já tive de mentir ao meu filho. Umas simples de digerir, outras que me deixam de consciência mais pesada.

 
Volta e meia lá vamos buscar a mentira fácil: "Se não comeres a sopa ficas de castigo", esta é tão velhinha que até a minha bisavó já a usava comigo. Depois existem as mentiras de circunstância: “Se arrumares o teu quarto vais ter um presente”, não damos presentes como prémios, o miúdo esquece rápido e não cobra nada. Finalmente as mentiras que magoam mais: “O Pai vai chegar mais cedo hoje”, mesmo sabendo que a reunião que tenho marcada vai prolongar-se. É nestas mentiras que há mais cobrança.
 
Talvez por nos ligarmos muito aos nossos filhos, não gostamos em circunstância alguma de lhes mentir. Eles acreditam piamente na nossa palavra e confiam cegamente em nós. Isto é para manter, sem dúvida.
 
Difícil de explicar é quando as crianças se apercebem que lhes mentiram. Por exemplo, uma mentira de um amigo é complicada de ser ultrapassada. Chegam a um ponto e perguntam “Pai, porque é que as pessoas mentem?”.
 
Ser verdadeiro nos dias que correm pode parecer ingénuo. Mas porquê? Educamos os nossos filhos a serem transparentes e quando se confrontam com o Mundo real deparam-se com um cenário tão diferente que os obriga até a crescer mais depressa que o suposto.
 
Mentir é enganar. É preciso muito descaramento e sangue frio para manter a face sabendo que se está a mentir. Porém, há sempre quem viva de mentiras e consegue safar-se tirando proveito. Acredito na justiça do Mundo e um dia a verdade vem ao de cima. 
 
O Pai