Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O melhor Pai do Mundo

Ser Pai é uma experiência que merece ser partilhada. Este espaço é dedicado a todos os Pais que receberam dos seus filhos o título de "O melhor Pai do Mundo".

30.Mai.19

Pai, até que idade podemos ser crianças?

pai-ate-que-idade-podemos-ser-criancas.png

O meu filho mais velho sente-se cada vez mais crescido e um dia destes perguntou-me se no próximo sábado ainda poderia festejar o Dia da Criança. Nem hesitei na resposta, disse-lhe imediatamente que sim. É um facto curioso da nossa vida, enquanto as nossas crianças querem rapidamente deixar de o ser, nós adultos suspiramos por voltar a ser… pelo menos eu suspiro por isso.
 

Quando deixamos de ser crianças perdemos a inocência com que vemos o mundo que nos rodeia. Ficamos mais à defesa, com uma espécie de pele mais grossa que não deixa passar quase nada.

 
Voltar a sentir-nos crianças, enquanto adultos, é uma forma de rejuvenescer. Quando estou com os meus filhos tenho uma vontade enorme de me transportar para o mundo deles, entrar nas brincadeiras, nas conversas com o mais velho, ser criança por uns momentos. Tanta vontade temos em crescer e sermos adultos, que quando lá chegamos e constatamos o que perdemos, queremos voltar.
 
Vivemos demasiado sérios. Queremos viver depressa. Às vezes pensamos mais no amanhã e menos no hoje, muito menos no momento. Com filhos o tempo passa ainda mais depressa, eles crescem mesmo ali à nossa frente com uma velocidade que só conseguimos ver o rasto de luz. De repente, quando olhamos para as fotografias guardadas no computador, pensamos “Este momento parece que foi ontem”.
 
O Dia da Criança é um pretexto para refletirmos sobre a velocidade que queremos para a nossa vida, como a queremos efetivamente viver, se vamos ficar agarrados aos planos para o futuro ou às frustrações do passado, se queremos viver mais o momento que temos à frente e se nesse momento estão os nossos filhos presentes. O pior que nos pode acontecer é olhar para trás com nostalgia do que perdemos.
 
Voltar a ser criança não é um ato de imaturidade ou irresponsabilidade, é um estado de espírito que diz respeito a cada um, sem nos importarmos o que os outros vão pensar. “Olha aquele Pai! Parece uma criança” é talvez o melhor elogio que me podem fazer!
 
“Pai, até que idade podemos ser crianças?”
“Não tem idade, filho. É para sempre."
 
O Pai
22.Mai.19

Pai, amanhã é o primeiro dia do resto da tua vida

pai-amanha-e-o-primeiro-dia-do-resto-da-tua-vida.p

Hoje é o último dia da minha licença parental exclusiva do Pai. Foram 30 dias em que fiquei bem junto à minha filha bebé. Não é fácil descrever o que sinto neste momento. Se por um lado foi uma experiência que fica para sempre guardada na minha memória, por outro é uma frustração enorme terminar uma etapa em que sinto que poderia ter sido mais longa.
 
Atenção, ser Pai a tempo inteiro não é um mar de rosas, só com fotos bonitas para partilhar e sempre de sorriso nos lábios. É um desafio que acredito que a maioria dos homens seria capaz de assumir e safar-se, mas tem de ter uma vontade enorme para o fazer. É esta vontade, juntamente com muito amor, que o Pai tem de viver esta experiência. Foi precisamente assim que encarei este período. Como escrevi antes, não fiz planos, não quis ter agenda, não quis programar tarefas que não fossem prioritárias. Quis estar sempre disponível para ser Pai.
 
O primeiro grande desafio é manter a rotina que a Mãe criou e bem. Os bebés adoram as rotinas, adoram comer à hora certa, que lhe mudem a fralda antes do leite ou da papa, de dormir muito descansados e por algumas horas. Quis manter tudo e neste aspeto a Mãe foi a garantia de que tudo iria dar certo, orientou-me, ajudou-me a melhorar, ensinou-me as técnicas e as manhas e deu-me o apoio e confiança necessárias.
 

A Mãe e o irmão mais velho saíam bem cedo de casa e o bater da porta de entrada era simbolicamente o início de mais um dia. A mais pequena normalmente dormia, mas pouco. Parece que sentia que o Pai estava agora ali disponível para ela. Acordava de sorriso rasgado como que a dizer “Pai, agora somos só nós”.

 
Os momentos mais gratificantes eram aqueles em que, depois do leite ou da papa, da fralda ou outras tarefas mais banais, ficávamos ali os dois em plena cumplicidade. A bebé entretida com a minha barba, a tentar perceber de que são feitos os meus óculos e eu ali apenas a observar aquele lindo ser que eu a Mãe e o irmão recebemos neste mundo.
 
Felizmente tive bom tempo nestes dias. Demos os nossos passeios, sobretudo para ir visitar os Avós, a Tia e as Madrinhas. Todos preocupados se o Pai se estava a safar-se bem e se precisava de ajuda. Comecei a habituar-me à rotina e cada vez mais todas as tarefas me pareciam triviais, até parece que ganhamos mais tempo ao longo do dia. Mas com a rotina os dias passam muito mais depressa e num abrir e fechar de olhos os 30 dias esgotaram-se...
 
Sinto que todos os Pais homens devem viver esta experiência, não para provarem que também são capazes, nada disso, sobretudo para criarem uma ligação ainda mais forte com os seus filhos. Não há aqui competição entre Mães e Pais, quem faz melhor o quê e quem cuida e educa melhor, longe disso. Se os homens tiverem este pensamento vão perder sempre. Temos de assumir que a Mãe é única e o seu papel é insubstituível…tal como o papel do Pai. Somos seres diferentes, com genética própria e aptidões também elas diferentes. Se homens e mulheres, Pais e Mães, assumirem estas diferenças e complementaridade, acredito que farão uma equipa muito melhor na educação dos seus filhos.
 
Amanhã regresso ao trabalho, parece que o tempo parou durante 30 dias e vivi num mundo completamente diferente. Não sei quando vou voltar a ter uma oportunidade como esta, talvez em férias, não sei bem. Não tenho dúvidas que estes 30 dias ajudaram-me a evoluir como Pai e sobretudo como ser humano. Foram apenas 30 dias, os nossos filhos merecem muitos mais. Não é mau, temos de viver com isso e aproveitar ao máximo.
 
Adaptando a letra de uma música do Sérgio Godinho, digo que “Amanhã é o primeiro dia do resto da minha vida”.
 
O Pai
14.Mai.19

Pai, quanto tempo demoras a mudar-me a fralda?

pai-quanto-tempo-demoras-a-mudar-me-a-fralda.png

Mudar a fralda é provavelmente a tarefa mais trivial quando falamos no cuidado com os bebés. Sendo tão comum e rotineira é normal que nos tornemos cada vez mais rápidos a fazê-lo. É verdade, mas é também um momento perfeito para uns miminhos.
 
Lembro-me perfeitamente quando mudei a minha primeira fralda. O nosso primeiro filho tinha umas horas de vida, a Mãe ainda estava a recuperar da cesariana e a enfermeira entrou no quarto onde estávamos e disse que estava na hora de mudarmos a fralda ao bebé. “Posso mudar a fralda?”, perguntei à enfermeira. A Mãe olhou para mim com os olhos ainda cansados e deu-me a confiança total. “Vamos lá então Pai”, disse a enfermeira.
 

Quis guardar este momento para sempre e por isso filmei. Preparei o que precisava: a fralda, a água, os toalhetes, o resguardo para a cama e… comecei.

 
Os meus dedos pareciam pinças. Estava algo assustado e com receio de fazer algo de errado. Tirei a roupa, abri a fralda e encontrei um grande cocó. Os primeiros cocós dos bebés parecem petróleo, é uma pasta escura e mole que se chama mecónio. Eu estava preparado para este facto, fruto do que estudamos antes do nascimento e das dicas muito importantes no curso de preparação.
 
Lá continuei a mudança da fralda. A pele do bebé estava limpinha, a nova fralda pronta para ser colocada, tudo a correr bem, portanto. Voltei a vestir o menino e pronto, a minha primeira fralda. Passei com distinção. A Mãe elogiou o meu trabalho e a minha iniciativa. Lá fui parar a câmara e reparei que o vídeo tinha 8 minutos de duração!!! Oito minutos para mudar uma fralda?!?
 
Até podiam ser 10, 15 ou 20 minutos, não interessava quanto tempo demoraria, mas sim como estava a fazer e sobretudo o prazer que estava a sentir. Nunca pensei no tempo, ou melhor, nunca penso. Estando reunidas as condições, faço questão de demorar os tais 8 minutos e até mais. Não pode ser sempre, porque às vezes temos mesmo de ser rápidos, mas sempre que posso demoro…
 
“Pai, demoras muito a mudar a fralda”, reclamam cá em casa. Hoje não demoro 8 minutos só a mudar a fralda. Demoro uns 2 a trocar e o resto é pura brincadeira. Cócegas, barulhos na barriga, trinquinhas nos pés, danças, agitar a roupa no ar, ginástica, até perco a conta a tanta brincadeira. A menina até já parece que adivinha quando chega ao muda fraldas que vai haver brincadeira.
 
Aquilo que é uma tarefa repetida tantas vezes durante o dia, passa a ser quase sempre especial. Se conseguir ter muitos momentos como estes durante o dia aligeiramos a carga da rotina, aumentamos a interação e passamos a gostar ainda mais daquilo que estamos a fazer. Engraçado de observar que estes momentos têm ainda mais significado quando os fazemos em família. É frequente estarmos os 4 dentro da casa de banho a participarmos da muda da fralda, do banho ou de outra tarefa qualquer. Não é sempre, mas quando acontece é especial e é isto que fica na memória de todos.
 
O Pai
09.Mai.19

Pai, a Mãe vai estar a pensar em nós no trabalho

pai-a-mae-vai-estar-a-pensar-em-nos-no-trabalho.pn

É duro, muito duro. Regressar ao trabalho depois de 5 meses de emoções e de uma dedicação enorme ao bebé é, sem dúvida, um grande impacto. A Mãe tem mesmo de ser muito forte para ultrapassar um momento tão delicado.
 
“O tempo passou a voar”, diz-me a Mãe momentos antes de sair para ir trabalhar. Para trás ficam memórias que nunca mais vai esquecer. Desde o nascimento, aos primeiros dias em casa, as rotinas, as saídas sozinha… enfim são tantos os acontecimentos. Viver de forma dedicada para um bebé não é fácil. Eu próprio, durante este mês, estou a viver essa experiência e sei que lidar com todas as tarefas nos faz sentir que o tempo passa mesmo muito depressa e que no final do dia nos parece que nem fizemos nada.
 

Para além deste desafio, a Mãe vive a sua própria mudança. Passou o tempo de grávida, as mudanças no corpo e a pressão para uma recuperação rápida, o factor psicológico da enorme exigência que um filho bebé acarreta, tudo isto num período de tempo muito curto. Sim, 4 ou 5 meses é muito pouco, não só para a Mãe, mas sobretudo para o bebé.

 
A Mãe descrevia os seus dias como se dividissem em 3 partes: a manhã normalmente mais sossegada porque a menina dormia um sono maior, final da manhã e tarde quando aproveitava para gerir as tarefas da casa e estar mais perto da bebé que se mantinha acordada por mais tempo e, finalmente, o regresso a casa do nosso filho mais velho e do Pai. Neste último momento, a Mãe descrevia como se fosse um dia diferente, mais agitado, com mais barulho, mas apressado até, algo mais próximo daquilo que será a nossa rotina quando estivermos os dois a trabalhar.
 
Há depois o regresso ao trabalho. Eu nunca estive afastado do trabalho tanto tempo, mas se se sente um impacto quando regressamos de uns dias de férias, quanto mais passados 5 meses e com estas mudanças todas. A capacidade mental da Mãe tem de ser fantástica para gerir esta mudança tão radical que acontece de um dia para o outro. Sugeri-lhe para ir com calma e muito tranquila, assumindo aos poucos a função. O tempo aqui ajuda, desde que na empresa existam pessoas que tenham esta consciência e entendam que não é fácil. Ajuda e muito se estas pessoas já passaram pelo mesmo, sejam Mães ou Pais, porque se não fazem a mínima ideia do que se trata olham para este período de ausência como se o colaborador tivesse estado de férias.
 
Como já escrevi, ter filhos é mesmo um ato de coragem e não é só pelos cuidados que requerem e pela atenção que nos pedem, é porque seremos sempre pessoas diferentes em todos os aspetos da nossa vida pessoal e, claro está, profissional. É pelo equilíbrio que todos procuramos, o que nem sempre é fácil, especialmente para as Mães e Pais que passaram muitos dias dedicados aos seus filhos.
 
Uma coisa é certa e disso não há qualquer dúvida, a Mãe e o Pai vão estar a trabalhar e, em todos os momentos, vão estar a pensar nos seus filhos, como estão, o que estão a fazer, se estão felizes…
 
O Pai
04.Mai.19

Mãe...

mae.png

Mãe… a simplicidade destas três letras conjugadas numa palavra, contrastam com a imponência do seu significado. Numa perspetiva meramente linguística, Mãe significa mulher que tem filhos. É um significado literal, longe do que realmente representa. Falta afeto, falta carinho, falta cuidar, falta educar, falta ensinar… falta AMOR.
 

Mãe está para os filhos como o sol está para a vida, durante o dia ilumina-nos, aquece-nos, dá-nos energia e quando descansa, à noite, apenas desejamos que volte a amanhecer.

 
Mãe é o centro do núcleo familiar, é quem faz o ninho que serve de aconchego e proteção. Se não existir uma Mãe também não existe um Pai, um Avô ou uma Avó, uma Tia ou um Tio. Quando nasce uma Mãe, nasce literalmente uma vida e uma família.
 
Mãe é um ser imperfeito, aliás como a natureza o é. Tem muitos defeitos, mas inúmeras qualidades. É capaz do melhor e do pior, mas em tudo o que faz, fá-lo com o máximo de vontade, o máximo de empenho e o máximo do amor que tem para dar.
 
Mãe é provavelmente a primeira palavra que aprendemos na vida, talvez mesmo por ser a mais importante. Pronunciar a palavra Mãe significa tanta coisa, desde segurança, até perigo, sobrevivência, apetite, sono…ou simplesmente porque queremos que ela olhe para nós e nos dê aquele sorriso que tem sempre guardado.
 
Mãe passa a ser o nome da mulher que tem filhos. Ela não se importa de perder a sua “identidade” e passar a ser chamada de Mãe, porque é ser Mãe que a faz ser a pessoa que é. Quando ouve Mãe, por mais distante ou estranha que lhe pareça a voz, ela olha e vê o que se passa.
 
Mãe não é abdicar de ser mulher é passar para outro patamar, é sentir-se ainda mais importante, é sentir-se a mais bela mulher do mundo, porque tem a certeza que o seu Mundo a vê assim.
 
Mãe é dar a oportunidade ao Pai.
 
Eu recebi esta oportunidade e agarrei-a com todas as minhas forças. Tornaste-me Pai e isso mudou a minha vida. Confias em mim os nossos bens mais preciosos, os nossos tesouros…os nossos filhos. Dás espaço para as minhas loucuras, as minhas palhaçadas, para o meu amor que por vezes é demasiado absorvente. Ensinas-me a ser melhor e nem te importas muito que isso demore muito tempo.
 
Mãe, sei que não te importas que eu mesmo te chame assim, quero dizer-te que as oito letras da palavra obrigado são escassas para te agradecer.
 
Mãe é sê-lo todos os dias, desde aquele momento em que nos abraçamos bem forte porque soubemos que iríamos ser Pais, desde o momento em que ouvimos o primeiro choro dos nossos filhos acabados de nascer e em todos os momentos em que olhamos um para o outro, com os nossos filhos ao lado, e dizemos “A nossa família é linda”.
 
O Pai