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O melhor Pai do Mundo

Ser Pai é uma experiência que merece ser partilhada. Este espaço é dedicado a todos os Pais que receberam dos seus filhos o título de "O melhor Pai do Mundo".

30.Out.18

Pai, quanto dinheiro ganhas ao final do mês?

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E se não existisse dinheiro no Mundo? Teríamos um Mundo melhor? É difícil de saber, mas não tenho dúvidas que o dinheiro é uma das variáveis mais influentes na nossa vida. E aquela máxima de que o dinheiro não traz felicidade? Não traz, mas ajuda.

 
O meu filho começa a ter noção do dinheiro. Pequena e distante, mas começa a pensar no assunto, a fazer comparações e até cálculos sobre quanto precisa de ter para comprar alguma coisa que queira.
 
Lembro-me perfeitamente que na minha infância e adolescência, os meus Pais nunca foram adeptos da mesada. A única mesada que recebia era da minha avó que me dava e dizia que era para comprar gelados ou guloseimas. Típico das avós. Lembro-me também que não era um miúdo pedinchão e cedo percebi que os meus Pais trabalhavam para ganhar dinheiro e talvez por isso vivi com um raciocínio na minha cabeça:
 
Se os meus Pais precisassem de mais dinheiro teriam de trabalhar mais e isso significava que passaríamos  menos tempo juntos. Eu tinha seguramente uns 10 ou 12 anos quando esta ideia andava na minha cabeça. A minha Mãe recorda-me várias vezes que eu raramente pedia um brinquedo, uma peça de roupa ou outra coisa qualquer.
 

Um dia destes o meu filho perguntou-me muito diretamente: “Pai, quanto ganhas ao final do mês?”. Poderia facilmente dizer-lhe um valor, mas para ele iria significar pouco. Respondi-lhe “O Pai ganha o suficiente para vivermos tranquilos e felizes”. Claro que o deixei na dúvida, estava à espera do tal valor.

 
A verdade é que a minha resposta é a minha forma de olhar para o dinheiro. Se ganhasse menos dinheiro do que ganho teria de ajustar a nossa vida para esse valor. Se ganhasse mais, poderia fazer outras coisas. Da forma como a sociedade está organizada, ter dificuldades financeiras condiciona a nossa felicidade, infelizmente é assim.
 
A consciência que passo ao meu filho é que o dinheiro que ganhamos é fruto do esforço que despendemos no trabalho. São raras as pessoas que ganham dinheiro sem esforço, por isso é uma espécie de sina, de caminho obrigatório. Ainda é cedo para a criança ter de pensar nisto e espero que só comece a pensar quando tiver a maturidade necessária para o fazer, o que será um sinal que conseguiu crescer e viver todas as etapas.
 
Não nego que, para além de outras coisas, ser Pai muda a nossa forma de olharmos para o dinheiro. Como em quase tudo, passamos a olhar com mais responsabilidade. Daquele dinheiro também depende a vida dos nossos filhos, mas temos de nos lembrar que eles são os que menos nos pedem.
 
Se perguntar a uma criança: “Preferes que o Pai (1) trabalhe mais e ganhe mais dinheiro ou (2) trabalhe menos e ganhe menos?”, acredito que a criança vai responder a segunda. Daqui retiro uma filosofia para a minha vida “Eu trabalho o necessário para ganhar o justo e que esse valor me permita viver uma vida tranquila e feliz”. Se gostaria de ganhar mais, talvez, mas se isso significar ter de retirar tempo à família, então a minha resposta é não, não quero ganhar mais dinheiro.
 
Falar de dinheiro e felicidade é sempre polémico, depende dos cenários de vida, das ambições, etc.. Vivo para a minha família, para a fazer feliz e para que isso seja possível tenho de trocar 8 horas (ou mais) do meu dia por dinheiro. É a vida!
 
O Pai

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