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O melhor Pai do Mundo

Ser Pai é uma experiência que merece ser partilhada. Este espaço é dedicado a todos os Pais que receberam dos seus filhos o título de "O melhor Pai do Mundo".

06.Jun.19

Pai, realizei um sonho!

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E quando o nosso filho realiza um sonho que eu próprio nunca tive oportunidade de o realizar? Qual é o sentimento que nos surge? Como é que reagimos à alegria extrema da nossa criança quando vive uma experiência que vai ficar para sempre marcada na sua memória? Eu reagi com um orgulho imenso, que contribuí, juntamente com a Mãe, para a felicidade do nosso menino. É isto mesmo que é ser Pai, certo?
 
Ontem o meu filho mais velho entrou em campo com os jogadores da Seleção de futebol. Já não chegava o estádio cheio e o ambiente vibrante, ver o menino ali no relvado foi espetacular. Faltavam escassos minutos para a entrada dos jogadores em campo, as bandeiras esvoaçavam nas bancadas e no relvado, o speaker anuncia “Aí vêm as equipas”. Senti um nó na barriga, um nervosismo irrequieto, parecia que era eu que ia subir ao relvado (quem me dera). Recebo uma mensagem pelo WhatsApp da Mãe: “Estou nervosa e tu?”, “Eu também”, respondi logo de seguida. 🙂 
 

Vejo os primeiros jogadores a subir e no meio de tanta gente, jogadores, dirigentes, organização, fotógrafos… em milésimos de segundo eu consigo encontrar o meu filho. Parece incrível, parece que existe uma ligação telepática. “O que é que ele está a pensar?”, “O que é que ele está a sentir?”, era o que me passava pela cabeça naquele momento.

 
“E agora o hino de Portugal”, anuncia o speaker. Ele estava ali tão perto que eu tive a tentação de o chamar. Era impossível ele conseguir ouvir-me ou mesmo ver-me naquele mar de gente. Eu tinha a sensação que sim. Não tirava os olhos dele. E lá começou o hino. Li-lhe os lábios e não falhou nenhum verso. O meu coração estava a bater forte.
 

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Os jogadores cumprimentam-se e as crianças cruzam as equipas e recolhem ao túnel. Sigo cada passo do miúdo, sempre compenetrado e sorridente. Entra no túnel…e passou tudo tão rápido. As 50 mil pessoas que enchiam o estádio estavam à espera do início do jogo. Para mim o jogo era um extra, o momento alto tinham sido aqueles minutos que antecederam a partida.
 
Eu e a Mãe tivemos de ficar separados. Os bilhetes que compramos eram num setor diferente daquele em que tínhamos de estar para receber as crianças. Ou seja, vivemos esta emoção a umas centenas de metros de distância. Fiquei a aguardar o menino durante a primeira parte. A dada altura, começo a ver uma fila de meninos e meninas a entrarem pela bancada. Vejo o meu filho e em menos de um segundo ele olha para mim e diz “Está ali o meu Pai”. Engraçado como a tal ligação telepática voltou a acontecer. No meio de tanta gente ele conseguiu, em pouco tempo, me encontrar. Juntamo-nos e vimos o resto da primeira parte. Eu tinha tantas perguntas para lhe fazer e ele tanta coisa para me contar, mas decidimos, mesmo sem falar, estarmos atentos ao jogo.
 
Intervalo. A azafama habitual das pessoas a levantarem-se. O nosso plano era ir ter com a Mãe. Tivemos de sair da bancada e do estádio e ir a correr para outra porta. Tivemos de percorrer perto de um terço do estádio. O miúdo estava ansioso por ver a Mãe, sentia-se isso em cada passada larga da sua corrida. Eu próprio estava acelerado. O nosso plano sempre foi assistirmos ao jogo os 3 (até queríamos ser 4, mas a bebé ainda não pode entrar 🙂). 
 
Este extra de entrar em campo surgiu na semana anterior, quando recebi um email da Federação de Futebol a promover um passatempo para as crianças acompanharem os jogadores. Agendámos discutir ideias ao jantar. Cada um, Pai, Mãe e filhos, deveria levar as suas ideias. Muito discutimos, mas lá chegamos a uma ideia. O miúdo fez o desenho nos dias seguintes e eu dei uma ajuda. Concorremos e ficamos à espera. Dias depois recebi uma chamada da Federação a confirmar que tínhamos ganho!!!
 
Volto à correria do intervalo. Chegamos à porta, onde eu tinha deixado a Mãe antes de nos separar-mos. Subimos as escadas da bancada e lá estava a Mãe de braços abertos, pronta para receber um abraço do seu orgulho. Assim como eu, a Mãe tinha tanta coisa para perguntar, mas a segunda parte estava quase a começar…
 
Final do jogo. O “nosso” Ronaldo deu-nos mais 3 golos e estamos na final. Hora de regressar a casa depois de tanta intensidade. Aproveitamos a viagem de carro para casa para fazermos as mil e uma perguntas. “Como foi?”, “O que fizeram?”, “Os jogadores foram simpáticos?”, “Cumprimentaste o Ronaldo?”… O miúdo foi respondendo, mas estava ainda a processar tudo o que tinha acontecido.
 
Chegamos a casa já os 4. A mais pequena adormeceu no carro e eu fui deitá-la na caminha. Juntámo-nos os 3 no sofá, voltei atrás a gravação do jogo e revivemos os momentos. Ao fim de três vezes a ver e a rever, o menino adormeceu no nosso colo. Foi o descanso do herói que tinha acabado de viver um sonho.
 
O Pai